Abrolhos: Guia completo de mergulho, viagem e experiência pessoal

Abrolhos: Guia completo de mergulho, viagem e experiência pessoal
Por Ricardo Alves — Viagem & Mergulho

Abrolhos: muito mais que um destino de mergulho
Um guia completo para quem quer conhecer o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos — por quem mergulha e leva pessoas para lá
Imagine acordar no meio do oceano.
Você abre a janela da cabine e, em vez de carros, prédios ou o barulho da cidade, encontra o mar, as ilhas do arquipélago, o cheiro de água salgada e o som das aves.
Depois do café, você coloca o equipamento e cai na água.
Debaixo dela, aparecem tartarugas, peixes, polvos, raias, crustáceos, corais e formações recifais que não existem em nenhum outro lugar do planeta.
E quando o dia termina, você ainda pode estar sentado no convés vendo o sol desaparecer no horizonte.
Isso é Abrolhos.
E talvez seja justamente por isso que, quando alguém me pergunta:
“Ricardo, você acha que eu deveria conhecer Abrolhos?”
Minha resposta seja bastante simples:
Com absoluta certeza.

Minha história com Abrolhos
Minha primeira viagem para Abrolhos aconteceu em 1999.
Na época, eu já trabalhava profissionalmente com mergulho. Minha formação como instrutor de mergulho recreacional pela NAUI ocorreu em 1997 e, posteriormente, também me certifiquei pela HSA, voltada ao mergulho para pessoas com necessidades especiais.
Durante aproximadamente 15 anos fui proprietário de uma escola de mergulho.
O turismo de mergulho já fazia parte da nossa atividade. Organizávamos grupos e viajávamos pelo Brasil e pelo exterior para mergulhar.
Em 2003 nasceu a Viagem & Mergulho, e desde então o turismo de mergulho passou a ser minha atividade principal.
Minha segunda viagem pessoal a Abrolhos aconteceu em 2022.
Nas duas viagens fiz aproximadamente 16 mergulhos, oito em cada visita, incluindo mergulhos noturnos.
Também levei grupos.
Pessoalmente, foram dois grupos, mas a Viagem & Mergulho já levou mais de 300 pessoas a Abrolhos ao longo de sua história.
Isso não significa que eu conheça cada pedra do arquipélago.
E faço questão de dizer isso.
Conheço alguns pontos pessoalmente, entre eles o naufrágio Rosalina, mas não considero honesto transformar experiência pessoal em conhecimento absoluto do destino.
Aliás, existe uma coisa que aprendi em muitos anos mergulhando:
O melhor ponto de mergulho não é necessariamente o ponto mais famoso.
É aquele em que você está no dia certo, na hora certa, com boas condições de mar, boa visibilidade e encontra justamente aquilo que gosta de ver.
Pode ser um chapeirão famoso.
Pode ser um naufrágio.
Ou pode ser um lugar que você nem esperava.

O que é o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos?
Criado em 6 de abril de 1983, Abrolhos foi o primeiro Parque Nacional Marinho do Brasil. Atualmente protege aproximadamente 87.943 hectares e está entre as áreas de maior biodiversidade marinha do Brasil e do Atlântico Sul.
O Parque possui dois grandes setores.
Um deles está a aproximadamente a 70 km da costa de Caravelas e engloba o Arquipélago dos Abrolhos e o Parcel dos Abrolhos, formados por milhares de chapeirões.
O arquipélago é composto pelas ilhas:Redonda; Siriba; Sueste; Guarita e Santa Bárbara.
A Ilha Santa Bárbara, entretanto, está fora dos limites do Parque e sob jurisdição da Marinha do Brasil.
O segundo setor do Parque está associado ao arco recifal costeiro, entre Alcobaça e Prado, incluindo o Recife de Timbebas.

Mas afinal, por que Abrolhos é tão especial?
Essa talvez seja a pergunta mais importante.
Não é apenas porque existem chapeirões.
Não é apenas pelas baleias.
Não é apenas pelos naufrágios.
E não é apenas porque é um excelente destino de mergulho.
É o conjunto.
Você pode passar alguns dias embarcado, mergulhando pela manhã, fazendo mergulho livre, observando aves, visitando a Ilha Siriba, vendo baleias durante a navegação, conversando com outros mergulhadores e simplesmente… ficando em silêncio olhando o mar.
E isso é algo que considero cada vez mais raro.

Mergulhar em Abrolhos é difícil?
Não.
Pelo menos essa não é a minha percepção.
Entre os destinos brasileiros que conheço, considero Abrolhos um dos lugares mais interessantes para quem está começando no mergulho.
A maioria dos mergulhos que conheci pessoalmente está em profundidades relativamente moderadas.
A água é agradável.
As correntes, de maneira geral, não são um grande fator de estresse.
E existe bastante vida marinha.
Isso permite que o mergulhador recém-certificado aproveite muito do que o destino oferece.
O próprio ICMBio informa que o mergulho autônomo no Parque ocorre em pontos previamente estabelecidos e acompanhado por condutor autorizado, sendo necessária a apresentação da credencial de mergulho.
Para mim, isso é particularmente importante.
Porque experiência de mergulho não significa apenas profundidade.
Qualquer coisa que aumente o estresse de um mergulhador diminui a capacidade dele de aproveitar aquilo que está acontecendo ao seu redor.
Água fria, corrente forte, pouca visibilidade e profundidade podem aumentar essa carga.
Em Abrolhos, normalmente você encontra uma combinação bastante amigável.

E para o mergulhador experiente?
Também.
E talvez seja justamente aí que apareça uma das características mais interessantes de Abrolhos:
Você não precisa ser um mergulhador avançado para aproveitar o destino.
Mas isso não significa que um mergulhador experiente ficará entediado.
Existem naufrágios, chapeirões, mergulhos noturnos e uma quantidade enorme de vida para observar.
Além disso, existe uma coisa que nenhum nível de certificação garante:
o que você encontrará naquele mergulho.
Você pode entrar na água pensando em fotografar um determinado animal e sair encantado porque encontrou outro completamente diferente.

Os famosos chapeirões
Se existe uma palavra que provavelmente aparece em praticamente todo texto sobre Abrolhos, é:
chapeirão.
E com razão.
São enormes formações recifais características do Banco dos Abrolhos e encontradas de forma única nessa região. O próprio ICMBio os descreve como estruturas recifais únicas do Banco dos Abrolhos.
Visualmente, alguns lembram uma espécie de vulcão submarino.
Eu prefiro outra comparação.
Uma plantação de couves gigantes.
Só que uma plantação que cresceu debaixo d’água.
O problema é que existe uma diferença entre conhecer a importância dos chapeirões e necessariamente ter o melhor mergulho da sua vida neles.
Durante minhas duas viagens, infelizmente, não tive a visibilidade que gostaria nos mergulhos que fiz nos chapeirões.
E isso reforça uma coisa que considero importante:
Um ponto famoso não está obrigado a proporcionar um mergulho excepcional todos os dias.
Mar, corrente, visibilidade, horário e comportamento dos animais fazem parte da experiência.

Naufrágios: quando a história vira recife
Eu gosto particularmente de naufrágios.
Talvez porque eles sejam muito mais do que estruturas submersas.
São recifes artificiais que rapidamente passam a fazer parte do ambiente marinho.
Mas existe outra coisa:
história.
Quando você olha para um pedaço de metal coberto de vida, sabe que aquilo um dia esteve na superfície.
Existiam pessoas.
Existia uma viagem.
Existia uma história.
E agora existe um novo ecossistema.
Dos naufrágios que conheço pessoalmente em Abrolhos, está o Rosalina.
E não vou tentar transformar minha experiência em uma lista de naufrágios que não conheço pessoalmente.
Essa é uma diferença importante entre um guia baseado em experiência e uma compilação de informações encontradas na internet.

A vida marinha de Abrolhos
Aqui talvez esteja a maior recompensa para quem simplesmente gosta de colocar a cabeça dentro d’água.
Já encontrei em Abrolhos:
• tartarugas;
• raias;
• polvos;

• lagostas;
• caranguejos;
• linguados;
• baiacus;
• peixes-frade;
• sargentos;
• cavalos-marinhos;
• diversos peixes recifais.
E existe uma característica que gosto particularmente:
Você não precisa estar procurando um animal enorme para ter um grande mergulho.
Às vezes, o que chama sua atenção é uma pequena criatura escondida no recife.
Por isso considero Abrolhos excelente também para fotografia macro.
E existe algo ainda mais interessante no mergulho:
Quando alguém encontra alguma coisa especial, normalmente não guarda para si.
Chama o companheiro e outras pessoas à sua volta .
Aponta.
Faz sinal.
Mostra.
O mergulho é uma atividade extremamente democrática.
O gordinho enxerga igual ao magrinho.
O atlético não enxerga mais que o sedentário.
O jovem não necessariamente percebe mais que o idoso.
E o instrutor experiente não consegue enxergar aquilo que está fora do seu campo de visão.
Quando alguém encontra alguma coisa interessante, compartilha a emoção.
Talvez seja por isso que o mergulho tenha uma característica que considero única:
Nós repartimos as experiências.

E as baleias-jubarte?
Aqui precisamos separar duas coisas:
Mergulho e observação de baleias.
As jubartes chegam ao Banco dos Abrolhos durante o inverno austral e permanecem na região durante meses para reprodução e criação dos filhotes.
O ICMBio informa que o período de maior interesse para observação vai de junho a novembro, com pico de aparições entre julho e outubro e maior número de avistamentos em agosto e setembro.
Eu já tive encontros que são difíceis de descrever em palavras.
Especialmente quando existe um filhote.
É uma experiência que emociona.
Mas existe uma regra que considero fundamental:
Não se vai a Abrolhos para “nadar com baleias”.
A atividade é observação.
Não se persegue o animal.
Não se tenta tocá-lo.
Não se provoca uma aproximação.
Se uma baleia se aproxima espontaneamente, você tem o privilégio de assistir.
E pronto.
Essa diferença parece pequena, mas é enorme.
A experiência não precisa ser transformada em interação para ser extraordinária.

Qual é a melhor época para mergulhar em Abrolhos?
Aqui existe uma resposta que parece contraditória:
Depende do que você quer.
O ICMBio atualmente considera dezembro a abril um período especialmente favorável ao mergulho, com águas mais quentes e maior visibilidade. Para observação de jubartes, junho a novembro é o período relevante, com pico entre julho e outubro.
Na minha opinião, maio e junho são meses que eu escolheria com mais cautela, principalmente pelas condições de chuva e vento.
E aí aparece aquilo que costumo chamar de:
A lei da compensação.
Quer melhores condições de água?
Uma época pode ser mais interessante.
Quer aumentar suas chances de observar jubartes?
Outra época ganha vantagem.
Não existe uma única resposta para todo mundo.

Como chegar a Abrolhos?
A porta de entrada para o Parque é Caravelas, no extremo sul da Bahia.
Atualmente, o ICMBio indica Porto Seguro como o aeroporto comercial mais próximo, a aproximadamente 261 km de Caravelas; Vitória aparece como outra alternativa, a cerca de 400 km.
Na minha experiência, a logística precisa ser planejada com antecedência.
Não gosto da ideia de desembarcar em Porto Seguro e pensar:
“Depois eu vejo como chego a Caravelas.”
São centenas de quilômetros.
Para grupos, normalmente organizamos transporte terrestre e hospedagem de forma integrada.
Para viajantes individuais, o aluguel de carro pode ser uma solução interessante, dependendo do roteiro.
E existe uma regra que eu considero praticamente obrigatória:
Não planeje seu embarque marítimo para poucas horas depois de chegar à região.
Chegue antes.
Durma em Caravelas.
Conheça a cidade.
Descanse.
E embarque no dia seguinte.
Isso reduz enormemente o risco de transformar um atraso aéreo ou um problema na estrada em uma corrida contra o relógio.

 

Caravelas merece mais atenção do que recebe
Caravelas não é Porto Seguro.
Não é Arraial d’Ajuda.
Não é Trancoso.
E talvez seja justamente por isso que eu goste dela.
A cidade ainda mantém características de uma comunidade ligada à pesca e ao mar.
Você não tem necessariamente a sensação de estar em um grande destino turístico.
Em alguns momentos, parece mais que você está sendo recebido como convidado.
E há história, arquitetura, praias, restaurantes e o rio que desemboca na região.
Antes ou depois de Abrolhos, vale reservar um tempo para conhecer Caravelas.

Bate-volta ou liveaboard?
O ICMBio atualmente informa que existem operações de bate-volta, normalmente das 7h às 18h, e operações com pernoite de 2 a 4 dias. A travessia entre Caravelas e o arquipélago pode levar de 2h30 a 5h, dependendo da embarcação e das condições do tempo.
Eu, pessoalmente, prefiro o liveaboard.
E não é simplesmente porque gosto de dormir em barco.
É questão de aproveitamento.
Você está indo para um arquipélago que fica distante da costa.
Se passar grande parte do dia navegando para chegar e retornar, sobra menos tempo para aproveitar o destino.
Quando você dorme próximo dos pontos de mergulho, os deslocamentos ficam muito menores.
Você mergulha.
Descansa.
Come.
Mergulha novamente.
E continua vivendo Abrolhos.
Para mim, o ideal é pelo menos três dias e duas noites a bordo.

Mas existe um lado do liveaboard que ninguém deveria esconder
Nem tudo são fotos bonitas no convés.
Você estará dentro de um barco.
Por alguns dias.
Com outras pessoas.
E isso significa:
• espaço limitado;
• embora incomum nessa localidade, a possibilidade de enjoo;
• rotina coletiva;
• horários;
• diferenças de hábitos;
• limitações de conforto;
• pouca ou nenhuma conexão com o continente;
• condições de mar que podem alterar a programação.
E existe uma coisa que considero fundamental:
Escolha seu companheiro de viagem com cuidado.
Porque um liveaboard pode se transformar rapidamente em um “Big Brother” se alguém decidir reclamar de tudo.
Da comida.
Do horário.
Do mergulho.
Do barco.
Do outro passageiro.
Do mar.
Até do sol.
Bom humor não é apenas uma característica desejável em um liveaboard. É praticamente equipamento de segurança.

O que levar para Abrolhos?
Além do equipamento de mergulho scuba (podem ser alugados) e dos itens pessoais, minha lista seria simples:
• proteção contra chuva;
• protetor solar;
• óculos de sol;
• boné;
• roupas leves;
• medicamentos pessoais;
• equipamentos que você realmente sabe que vai utilizar;
• e…
Bom humor.
Não precisa levar sua casa inteira.
A maioria das pessoas leva muito mais coisa do que realmente precisa.

Um cuidado que pode evitar uma grande dor de cabeça
Antes de embarcar, informe qualquer restrição alimentar ou alergia.
Já aconteceu conosco de uma passageira não consumir frutos do mar.
O problema?
Ela não havia informado isso no questionário de restrições alimentares.
Como o cardápio da embarcação tinha forte presença de frutos do mar, tivemos que encontrar alternativas para que ela pudesse se alimentar.
No fim, resolvemos.
Mas poderia ter sido muito mais simples.
Informe tudo antes de embarcar.

E se o mar estiver ruim?
Essa é uma pergunta que sempre aparece.
A resposta correta é:
depende.
Existe diferença entre mar mexido, chuva, vento forte e uma condição realmente insegura para navegação.
A decisão precisa ser tomada considerando as condições reais do dia e as orientações de segurança.
O próprio ICMBio ressalta que as atividades marítimas dependem das condições climáticas, especialmente vento e ondas, e recomenda atenção à previsão. Atualmente, o Parque informa que não recomenda operações com vento acima de 20 nós.
E existe algo que todo viajante precisa entender:
Uma viagem marítima pode ser alterada por razões de segurança.
Não é defeito do passeio.
É parte da natureza da atividade.

Abrolhos para quem não mergulha
Sim.
E eu diria que esse é um dos grandes equívocos sobre o destino.
Você pode:
• fazer mergulho livre;
• observar aves;
• visitar a Ilha Siriba com acompanhamento;
• fazer atividades aquáticas;
• observar baleias na temporada;
• fotografar;
• contemplar a paisagem;
• simplesmente aproveitar alguns dias no mar.
O ICMBio confirma a existência de trilha guiada na Siriba, observação de aves, mergulho livre e outras atividades de visitação.
Aliás, uma das imagens que mais gosto de lembrar é a de crianças observando baleias.
Quando aparece um filhote e você vê a expressão delas…
isso vale a viagem.

Perguntas frequentes sobre Abrolhos
Abrolhos pode ser visitado durante todo o ano?
Sim. O ICMBio informa que o Parque pode ser visitado durante todo o ano. Para mergulho, dezembro a abril tende a oferecer águas mais quentes e maior visibilidade; para observação de jubartes, junho a novembro é o período de maior interesse.
Abrolhos é indicado para mergulhadores iniciantes?
Sim. Na minha experiência, é um dos destinos brasileiros que melhor combina condições amigáveis com grande diversidade de vida marinha.
É possível mergulhar em Abrolhos sem certificação?
O mergulho autônomo exige credencial. O Parque também oferece atividades de mergulho livre e outras formas de visitação, mas dependendo da “operação” é possível contratar batismos com o instrutor a bordo.
É possível nadar com baleias em Abrolhos?
Não devemos tratar Abrolhos como destino de “nado com baleias”. A atividade é de observação responsável e deve respeitar as normas de proteção dos animais.
Quantos dias são ideais?
Para uma experiência de liveaboard, considero pelo menos três dias e duas noites a bordo uma boa referência. A duração oficial das operações com pernoite atualmente varia de 2 a 4 dias.
É possível conhecer Abrolhos sem mergulhar?
Sim. Existem atividades como mergulho livre, observação de aves, trilha guiada na Ilha Siriba e observação de baleias na temporada.
Como chegar a Abrolhos?
A principal porta de entrada é Caravelas, na Bahia. O ICMBio atualmente indica Porto Seguro como o aeroporto comercial mais próximo, a aproximadamente 261 km de Caravelas.
Posso fazer o passeio de um dia?
Sim. Existem operações bate-volta, normalmente das 7h às 18h. Mas, pessoalmente, prefiro o liveaboard porque permite aproveitar melhor o tempo no arquipélago.
O que são os chapeirões de Abrolhos?
São grandes formações recifais características do Banco dos Abrolhos, consideradas estruturas únicas da região.
Abrolhos é melhor que Fernando de Noronha?
Não existe uma resposta universal. Para iniciantes, pela minha experiência, escolheria Abrolhos. Para mergulhadores mais experientes, Noronha pode oferecer uma experiência mais adequada ao perfil procurado.

Abrolhos é bom para famílias?
Sim.
Para casais?
Sim.
Para amigos?
Com certeza.
Para quem viaja sozinho?
Também.
Para quem acabou de aprender a mergulhar?
Fortemente recomendado.
Para fotógrafos?
Excelente.
Para quem gosta de naufrágios?
Sim.
Para quem gosta de vida macro?
Sim.
Para quem não mergulha?
Também.
Abrolhos não exige que todos tenham exatamente o mesmo perfil.

Para quem eu não recomendaria Abrolhos?
Aqui também precisamos ser honestos.

Eu pensaria duas vezes se você:
• não gosta de mar;
• não tolera calor;
• não gosta de areia;
• precisa de hotel com conforto convencional;
• considera indispensável água quente;
• precisa de ar-condicionado;
• não gosta de conviver com outras pessoas;
• não suporta navegação.
Abrolhos é uma experiência de natureza.
Não é um resort flutuante.

Abrolhos ou Fernando de Noronha?
Essa é uma comparação que ouço bastante.
E minha resposta é:
Para um iniciante, eu escolheria Abrolhos.
Para um mergulhador experiente, Noronha pode ser mais interessante.
Mas isso não significa que um seja melhor que o outro.
São experiências diferentes.
Abrolhos oferece uma combinação excepcional de:
mergulho + natureza + arquipélago + liveaboard + baleias + história + custo-benefício.
Noronha oferece outro conjunto de características.
O melhor destino depende do que você está procurando.

E Abrolhos ou Bonaire?
Novamente, experiências diferentes.
Bonaire é famosa pela autonomia proporcionada pelo mergulho de praia.

Abrolhos é uma experiência embarcada e de arquipélago.
Se você quer liberdade para fazer vários mergulhos de praia, Bonaire pode ser uma excelente escolha.
Se quer viver alguns dias no oceano e explorar um ambiente protegido distante da costa, Abrolhos tem uma proposta completamente diferente.

Abrolhos vale a pena?
Depois de tudo isso, minha resposta continua sendo:
sim.
E talvez nem seja pelo mergulho.
É porque Abrolhos consegue juntar várias coisas que normalmente aparecem separadas em outros destinos.
Você pode mergulhar.
Pode observar baleias.
Pode conhecer uma área protegida.
Pode caminhar em uma ilha.
Pode observar aves.
Pode fazer mergulho livre.
Pode conhecer Caravelas.
Pode comer bem.
Pode conhecer parte da história do Brasil.
E pode simplesmente ficar olhando o mar.

A experiência que eu considero mais especial
Se você me perguntasse qual foi o momento mais marcante que tive em Abrolhos, talvez muita gente esperasse que eu citasse uma baleia.
E realmente, ver uma jubarte com seu filhote é algo indescritível.
Mas existe outra lembrança que guardo com carinho.
Foi durante um mergulho livre.
Duas tartarugas se aproximaram e começaram a nadar ao meu lado.
Isso me marcou porque normalmente, elas se afastam.
Naquele momento, por alguns instantes, não parecia que eu estava observando os animais.
Parecia que estávamos simplesmente compartilhando o mesmo espaço.
É uma daquelas experiências que nenhuma fotografia consegue reproduzir completamente.

Mas existe uma imagem de Abrolhos que talvez explique tudo
Imagine que você está embarcado.

Não existe trânsito.
Não existe buzina.
Não existe telefone tocando.
Você toma café olhando para as ilhas.
Escuta as aves.
Depois mergulha.
Volta.
Almoça.
Conversa com pessoas que acabaram de conhecer.
Mergulha novamente.
E no fim do dia fica sentado no convés olhando o sol desaparecer.
É nesse momento que eu entendo por que gosto tanto de levar pessoas para Abrolhos.
O mar vira seu quintal.
Só que é um quintal cheio de vida.

Por que eu continuo recomendando Abrolhos?
Porque conheço muitos destinos de mergulho.
Alguns são tecnicamente melhores.
Alguns têm mais tubarões.
Alguns têm águas ainda mais transparentes.
Alguns têm hotéis mais luxuosos.
Alguns oferecem uma infraestrutura turística muito maior.
Mas Abrolhos tem uma combinação difícil de reproduzir.
É brasileiro.
Está relativamente próximo.
Tem história.
Tem biodiversidade.
Tem mergulho.
Tem baleias.
Tem naufrágios.
Tem os chapeirões.
E ainda conserva uma simplicidade que, pessoalmente, espero que continue existindo por muito tempo.

Então, Ricardo, você recomenda Abrolhos?
Com absoluta certeza.
Amo o mar.
E depois de tantos anos trabalhando como instrutor e como agente de viagens, continuo me realizando quando consigo proporcionar a alguém uma experiência de mergulho que ficará na memória.
Para mim, Abrolhos representa exatamente isso.
A possibilidade de acordar com o barulho das aves.
Tomar café olhando para as ilhas.
Conviver alguns dias com pessoas que gostam das mesmas coisas que você.
Entrar no mar.
Colocar a cabeça debaixo d’água.
E descobrir que aquele imenso azul está cheio de vida.
Todos deveriam ter a oportunidade de viver isso pelo menos uma vez.

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